O Sentido da existência e a dualidade ocidental entre homem e natureza constituem, nesta exposição, as principais interrogações. A vivência numa sociedade que apela para o domínio, a conquista e a posse, em detrimento de valores como a humildade, o respeito e a espontaneidade, afastam-nos cada vez mais da Mãe Natureza, enquanto entidade não artificial (e não material), e da nossa própria Natureza enquanto seres puros e verdadeiros.
A falta de compreensão, partilha e união tornam-se, inevitavelmente, uma consequência. Cabe a cada um dos presentes questionar-se se pretende, ou não, procurar uma mudança, uma transformação (em si), que o leve a partilhar uma nova filosofia e um novo estado de existência: o da harmonia e equilíbrio.
Na sequência do que foi anteriormente mencionado, visionam-se aqui três etapas de trabalho.
Numa primeira fase, elementos arquitectónicos sustentados por referências (à cidade de Veneza) e conceitos (como o da inteligibilidade) reforçam a importância dos ensinamentos dos antigos. A simplificação das formas, inclusive das cores e do seu tratamento, enfatizam um estado de despojamento e pureza: o estado primitivo das coisas.
Numa segunda fase, a intervenção de figuras mascaradas, envolvidas por uma forte gama cromática, convidam-nos à observação e contemplação. Entenda-se, aqui, observação como aquilo que vemos, e contemplação como aquilo que acabamos por descobrir quando nos envolvemos com o que vemos. O uso da figuração, cores fortes e pinceladas fluidas apelam, então, para diferentes dimensões: para o mundo exterior e interior, objectivo e subjectivo; para o que somos e deveríamos ser; para o que vemos e deixamos de ver; para o que somos e não somos; em suma: para a possível transformação.
A terceira, e última fase, nasce da admiração e influência do pensamento tradicional oriental. Mediante os ensinamentos dos antigos sábios e da prática de Artes Marciais, desvela-se a Natureza enquanto essência (de cada um - natureza individual) inserida numa grande Mãe Natureza (natureza exterior). Do equilíbrio e respeito por ambas dependerá, precisamente, a nossa mudança e evolução como seres humanos e sociais. A ligeireza do carvão, as cores fortes e suaves em uníssono, as noções de espaço, o uso de elementos metafóricos (como a linha ou a montanha) manifestam essa preocupação e libertam-se numa procura. A procura pela desconstrução de ideias e artificialidade das coisas; a procura por uma nova consciência; a procura pelo equilíbrio, pureza, clareza e verdade dados pelo desenvolvimento da espiritualidade.
Marisa Noblejas, Fevereiro 2005 (Text)
Palavras Caídas" (Fallen Words)
Oil on Canvas , 81X60, 2006
In 2006, my visit to Naples would change the path of my paintig. The ambience of Mount Vesuvius will deeply take possession of it. The same research of the past arises here in a very hard way. The magic behind its walls, the antiquity of things, the essence of things , and even the removing of material, gains here great expression. In this ambience I discovered my passion of the ancient city of Pompei which I have studied since then. I discovered a civilization, but more than that, I found a "perception" "almost a sensory perception that has allowed me to travel in time.
That travel gave me the name to the Solo Exhibition I made in Belém under the Title "Fallen Words", words that are never said for lack of courage, fear, decency, madness or lack of opportunity. Words that we feel in the soul that belong only to ourselves and nobody else.

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